Autismo-Terapia de Mediação pela Água

Nesta terapia, para tratamento do autismo, a água serve de mediadora entre a criança e o terapeuta, podendo ser utilizada como meio de ligação.

Numa piscina, havendo imersão e um contacto corpo a corpo da criança com o terapeuta; numa banheira onde é colocada a criança e onde é trabalhada a regressão e a constituição de um continente-pele; ou ainda, o “pataugeoire” onde não existe uma imersão total do corpo, mas um conjunto de jogos com água em frente a um espelho – a criança pode lançar água em jacto, ou outros jogos em que o adulto pode participar.

A terapia de mediação com a água torna-se indicada na medida em que é um meio ao qual a criança adere facilmente e que favorece a regressão – retorno à vida uterina. O adulto está lá para permitir a simbolização, dando um sentido à experiência. O objectivo não é a interpretação da transferência, mas sim falar sobre o que é sentido, no sentido dos jogos, das emoções, da capacidade de pensar… Por outro lado, os momentos de despir, secar e voltar a vestir são muito ricos em material de comunicação, em crianças muitas vezes sem linguagem relacional, apenas corporal e regressiva.

Através deste tipo de terapia, a criança vai esboçando uma organização do espaço, do correr do tempo, do dentro e do fora, do continente e do conteúdo, do “eu pele” – os envelopes corporais (pele, roupa, meio) do oral alimentar e do oral fonatório, do estádio do espelho, do seco e do molhado, do quente e do frio… . Além disso, tem a vantagem de que as manifestações agressivas e destrutivas sejam, deste modo, mais facilmente trabalhadas, visto que são dirigidas à água e não ao corpo do terapeuta.

Outra terapia de mediação corporal utilizando a água é designada por Pack. Nesta terapia são introduzidas toalhas que envolvem a criança, para permitir-lhe aceder à noção de “pele”, de continente, do quente e do frio. Esta terapia é efectuada com a presença da mãe junto da criança e de um técnico especializado, de modo a favorecer a reciprocidade de trocas entre a mãe e a criança e a procura de novas fontes de prazer. As técnicas de mediação com a água são “continentes para poder vir a pensar os pensamentos”.